domingo, 29 de março de 2015

Te Baguncei



Eu queria te bagunçar, sim. Mas a bagunça que eu buscava envolvia só cabelos desarrumados, roupas amassadas, lençóis pelo chão. Era essa bagunça que eu queria e não a que eu causei.
Desculpa pelo amor sem medidas que você me deu. Eu não tinha a quantia necessária para retribuir de forma justa, mas achei que conseguiria alcançar algo semelhante um dia. Por isso deixei acontecer. O que eu não percebi é que, quanto mais eu permitia, menos eu sentia. No fim, não era amor… É que você me fazia um bem danado pra eu abrir mão tão fácil.
Desculpa o meu egoísmo filho da puta. Acredite, eu me odeio por saber que te baguncei nesse tanto. Eu te vejo sem saber o que fazer agora, já que joguei todos os nossos planos fora. Eu os quis, sabe? De verdade. 
Aguentar o peso do seu coração nas minhas mãos não é fácil. Eu queria que você voltasse a sorrir como antes. E quero muito que você não tenha medo de amar assim de novo. Ame! Eu é que sou o problema – por mais clichê que isso possa parecer. Você ama bem. Ama de verdade e isso é tão raro hoje em dia. Eu sou prova disso… Você deu azar ao me escolher.
Se eu pudesse, voltaria no tempo. Passaria reto por você naquele local que a gente se conheceu. Não teria te passado o meu número nem teria aceito o seu convite para a semana seguinte. Não teria deixado você se apaixonar por mim. Não teria te machucado. 
Não teria sido eu.

domingo, 22 de março de 2015

Fantástico Mundo Dos Solteiros ( onde ninguém encontra ninguém )


Preste atenção num fato curioso: tem muita gente solteira, maior de idade, vacinada, que tem Facebook (e um monte de outras redes sociais) e que fala com dezenas de pessoas diariamente. Gente nova num tweet, amigo de algum amigo teu que conheceste no bar,um estranho que elogiou o livro que você lia no metrô, a guria nova que comentou na sua foto do Instagram: nada é restrito apenas ao mundo online. No fim do dia, eu e você vamos ao Facebook causar um pouquinho e perguntamos, bradamos, fazemos panelaço sentimental num grande protesto levantando uma bandeira com os dizeres “Por onde andam as pessoas interessantes?”
O problema é que a gente tá esperando cair do céu um ser humano formado por uma lista infindável de características que a gente pediu pro Papai Noel, sem se dar conta que nem Papai Noel nem o tal do ser humano perfeito existem. Tentamos o tempo todo encontrar pessoas perfeitas, feitas de filme, gente que a gente adoraria assistir sentado no cinema. E quando a gente dá de cara com alguém que trabalha, estuda ou faz os dois, que mora longe, que não gosta exatamente das mesmas coisas que a gente, que vota diferente, que tem cabelo de uma cor engraçada, coisa e tal, a gente grita PRÓXIMO!
Num mundo em que encontros são tão fáceis, a gente não para de se esbarrar. Esbarramos em alguém, damos uma breve olhadinha e se a pessoa não for exatamente aquilo que a gente quer, a gente volta pra multidão pra esbarrar de novo. Falta tolerância e foco. Tolerância pra entender que nem sempre um amor bom vai caber no nosso check-list, nem sempre vai se mostrar à primeira vista. Foco pra ficar um tempo no mesmo lugar e conhecer um pouco mais sobre quem a gente encontra; afinal de contas esse é o tal sentido do encontro, todo o resto é esbarrão. Se você não perde alguns encontros, horas, papos e tudo o mais, como é que pode ter tanta certeza que não era a tal pessoa?
Você vai me dizer que nem pede muito, que esse não é seu problema. Que as pessoas que aparecem é que não te dão borboletas no estômago, não te causam azia sentimental. Mas como é que você quer sentir isso se você nem dá oportunidade pra que ela te cause isso, se ao primeiro sinal de descontentamento você pula pra próxima? Se ao invés de focar nela, você fala com mais 5 pessoas ao mesmo tempo torcendo para que algo dê certo nessa roleta russa amorosa.
O problema do mundo dos solteiros são os próprios solteiros. As regras não mudaram, nós é que nos tornamos exigentes demais pra coisas que nem podemos oferecer. Nós é que ganhamos um monte de ferramentas de comunicação que nos apresentam diariamente mais e mais pessoas e não sabemos lidar com isso. Pessoas interessantes existem ao montes, mas quanto tempo demora para você realmente identificar isso em alguém? Eu não sei. Enquanto escrevia esse texto já estava bolando a minha próxima paixonite (sendo que a última nem tinha esfriado). Esbarrões, saca? Voltei pra multidão. E você provavelmente também fez isso
Texto: Daniel B.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pessoas Interessantes.


Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana. Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo.Tinha decidido a banir a palavra “balada” da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho qualquer.Já tentei algo em cafés e praças, não deu muito certo, as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de “tô no meu mundo, fique no seu rapaz”. Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindo o mais idiota de todos?
Foi então que eu descobri. Ela está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo das cobertas lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.
A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?

domingo, 15 de março de 2015

Se você quiser


Se você quiser eu paro o que eu tô fazendo agora e dou um pulo aí na tua casa. Mentira, você tá muito longe, nem se quisesse eu conseguiria chegar a tempo por aí. Mas eu te ligo ou abro o Skype aqui rapidinho pra te ver o mais rápido possível, quando der, assim que você se desocupar, só pra dizer que eu te quero bem pra caramba, de verdade.

Esses dias me bateu um medo gigante de nunca mais ter a chance de dizer como eu te quero bem, porque no dia a dia a gente esquece, a gente só lembra das ofensas, do estresse, do lado ruim que ofende e fere quem a gente ama, mas uma hora a gente lembra, uma hora da manhã ou duas da tarde, mas lembra. E hoje eu me lembrei de você com todas as vogais e consoantes que formam o teu nome, com todos os traços tortos e mal desenhados da tua personalidade, com tudo aquilo que eu nego aqui dentro e que me atrai. Porque nem eu nem Deus saberíamos explicar o que é que me acontece por causa de você, e me desculpa o erro, mas não consigo ser formal contigo.

Bateu uma coisa que eu não sei se é febre ou fome, mas é voraz, tá me devorando por dentro, deve ser amor e saudade, uma espécie de dor de estômago que não se preenche, sabe? Você costumava dizer que sabia, então pensei que pudesse me entender. Ontem eu contei pro meu diário que você foi o cara mais incrível que eu já conheci na minha vida. Fiquei pensando se era verdade ou se era só pra formar poesia, mas é sim. É tão incrível que por dentro de mim tudo sorri, tudo só ri e continua assim por dias e dias quando me embaraço em você. Mas faz tempo que eu ando triste, com uma dor no peito esquerdo e no direito – porque ela se espalha e passa pro corpo todo, ela não se contenta com um pedacinho só. Ela não para, ocupa todo o espaço possível em mim, tudo em mim dói quando não é você. Eu ando desorientada e fico pensando se essa distância toda, se essa falta de tempo e esse afastamento necessário, se ele é tão necessário assim mesmo.
Na última vez eu te disse que era melhor fugir de mim. Era melhor pra você porque eu me conheço. Eu acabo parecendo uma menina daquelas que sorriem pra tudo, que fazem tudo de bom grado, que não têm chefe que tire do eixo ou trânsito que abale a calma de um coração em paz, eu pareço uma dessas mulheres que se encontraram na vida sem GPS ou Google Maps. Eu ponho uma música do The Police ou dos Beatles e, cacete, como isso faz sentido. Recito a letra e percebo que poderia inserir você no meio de todas as histórias que eu desenho durante a melodia. Eu tenho um medo danado disso porque eu nunca me vi feliz assim, feliz a ponto de ser vulnerável. Pode até não parecer, mas eu sou medrosa, ainda mais com a possibilidade de sofrer. Eu sou sempre a pessoa que cai fora antes da chuva cair, entende? E dessa vez eu fiquei. E você fugiu.

Eu nunca disse isso pra ninguém, mas se você quiser, volta. Eu não tava brincando, eu posso não ser melhor pessoa do mundo pra um monte de gente, mas eu posso ser a melhor pra você. Eu deixo a tal menina confusa e aprendo a crescer. Porque eu já tô cansada de me referir a você como ele, reportando pros outros um discurso distante de alguém que tá, mas não tá aqui. Foge de mim ao contrário e volta, eu te busco no aeroporto, na rodoviária e, se você quiser, a gente ainda pode ser muito feliz.

Texto: Olivia Dias

sexta-feira, 13 de março de 2015

Coleciono Listas Telefônicas vazias .


São 3h da manhã e eu desligo o telefone. Mais uma conversa que não vai dar em nada, mais um nome pra tentar decorar antes da semana acabar. Olho um pouco a tela do Whatsapp e vasculho a agenda telefônica cheia de nomes.
Não me lembro de metade.
São todos nomes rasos, comuns, cotidianos que poderiam ser de amigos de infância ou de gente que eu conheci na fila de um show. Passo o olho por cada contato tentando resgatar mentalmente a história de cada um. Tu Tu Tu…
Linha muda. Não sei a história deles, muito menos as características básicas da fisionomia, da voz, dos costumes e gostos.
Hoje em dia colecionar pessoas é fácil. A gente enche a agenda delas. Pra cada contato, dois ou três dias de uma conversa animada – mas nunca exclusiva – é o bastante. Não fui cativado, nunca somos, estamos apáticos. Pulamos de galho em galho pra repetir o ciclo até que, algum dia como esse, às 3h da manhã com um pedaço de pizza da boca e um coração meio vazio, a gente percebe o que faz.
Somos uma geração de amores fugazes, nem um pouco furiosos, nem um pouco densos. Dividimos a atenção em possíveis amores, possíveis nomes a serem decorados com prazo de validade.
A gente se conhece e você me dá seu número. Ou a gente nem se conhece e você me dá seu número mesmo assim. Sorrimos um pro outro e tentamos descobrir afinidades, desafetos ou qualquer coisa que renda assunto. Um, dois, três dias. SE NÃO NOS VIRMOS, MORREMOS. Nos vemos. Sorrimos e um de nós acaba no quarto do outro. Beijo de bom dia e despedida. Um, dois, três dias. O silêncio falou mais alto. Morremos um pro outro. Tudo novo de novo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Carta pra me despedir de você.




Querida pessoa (que eu devia chamar por uma série de apelidos carinhosos),
Gostaria de iniciar essa carta fazendo referência a alguma piada interna que nós criamos no início do nosso relacionamento, quando tudo era bom e você ainda não sabia do meu medo quase patológico de insetos, mas não sei quem é você. Ainda não tive o prazer de conhecê-la, mas sei que terei o infortúnio de perdê-la. Sei, porém, que quando tudo estiver a ponto de acabar, não terei condições mentais de me despedir da forma que você merece. Somando isso com minha ansiedade crônica, achei de boa vontade adiantar minhas últimas palavras antes mesmo de te dizer as primeiras.Acho difícil que tenhamos nos conhecido em alguma festa ou balada – não vejo esse tipo de evento no meu futuro breve. Sendo assim, o amigo em comum que nos apresentou está prestes a ficar muito bravo com a gente. Preciso lembrar, assim que terminar isso, de escrever uma carta para ele – ou ela. 
So me desculpo por tudo aquilo que deixaremos de viver, não peço perdão por tudo o que tivemos. Mesmo sem ter vivido nada, sei que crescemos lado a lado.
Aconteceu, foi bom e acabou. Não, não vira pra mim e fala que deu errado. Se tivesse dado errado você não ia ter se encantado com tudo aquilo que eu já te disse, e eu não estaria sofrendo com nosso término sem sequer saber como e o seu sorriso. Acabou porque, oras, tudo acaba. Dito isso, não te desejo outros começos, mas outros finais: que eles sejam tão carinhosos e cheios de amor como esse.


terça-feira, 3 de março de 2015

Cansado !



"Quando encontrares um homem cansado demais para te dar um sorriso, dá-lhe o teu."

Estou cansado, é claro, 
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. 
De que estou cansado, não sei: 
De nada me serviria sabê-lo, 
Pois o cansaço fica na mesma. 
Sei que estou cansado, 
Entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. 
Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui...
Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer!
Meu horizonte de quintal e praia!

Tô cansado de descansar.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Tempo Perdido

Assim como o dia de ontem não é igual ao dia de hoje, e nem o será o dia de amanhã, da mesma forma, o tempo perdido não voltará, os momentos não serão os mesmos. As situações podem até parecer iguais, mas jamais se repetirão com a mesma essência, com os mesmos detalhes que foram antes. À medida que os anos se passam percebemos que a felicidade é composta por instantes exclusivos, e se tivéssemos percebido isso antes, poderíamos ter vivido estes instantes com maior intensidade, ou aproveitado a cada instante. O tempo perdido não será aquele que gastamos nos erros, mas aquele que não conseguimos utilizar para corrigi-los. No demais, somos humanos, a nossa essência é errônea.


domingo, 1 de março de 2015

I'm different


Eu queria escrever um texto diferente. Mas não consigo. O sentimento é o mesmo. Vem estação, vai estação. Vêm garotas, vão garotas. E fica a mesma coisa de sempre. O amor. Às vezes, gostaria de ser um cara bem centrado e não ficasse tão na dúvida. Mas sou apenas no fundo, mas um cara. Com defeitos e não acredito tão mais na magia que esse sentimento que muitos odeiam trás. Eu escrevo os textos mais errados, tentando salvar uma vida e um amor. Mas não salvo. Eu engasgo nas frases e não vai. Alguem decidido não seria assim, ou seria? Sou mutidão em um só. O que sofre. O que ama. O que acredita no amanhã. Mas dentro de mim ainda existe o que odeia o Amor.