sexta-feira, 22 de junho de 2018

Às vezes, o amor só pega no tranco.




Se eu tirar meu cavalinho da chuva, tudo vai ficar resolvido, afirmou para si enquanto montava na cabeça sua desistência. Se não tentasse não sofreria, se não arriscasse, não se queimaria, se deixasse tudo como estava, tudo seria como sempre foi. Respirou fundo, deixou sem perceber as sobrancelhas murcharem com o próprio desvalor. Mais uma vez, por querer tanto a ponto de não suportar uma negativa, deixaria de lado o próprio desejo em prol da normalidade. Seu estômago reclamou por isso e, para acalentá-lo, pegou mais uma bebida e esperou tudo se estabilizar e concluir que era hora da saideira.
Era a hora do tchau. Chamou o Uber como se encomendasse a própria morte, toneladas nos dedos digitando sua localização. Enquanto aguardava a confirmação do carro no aplicativo, viu que o outro não estava fazendo o mesmo, só olhava para a rua como se buscasse seus pensamentos. 
“Vem comigo que te dou carona”. 

domingo, 17 de junho de 2018

Vosmecê precisa de uma nova história


Esse seu conto já tem pontos demais, vários finais e nenhuma reticência, como você pensa.
Seus amigos já conhecem todos os personagens e capítulos, como se tivessem assistido a mesma série de duas temporadas pelo menos umas cinco vezes.
Ninguém aguenta mais o monólogo e as perguntas sem resposta, que você insiste em repetir da hora que acorda até a hora que vai dormir. 
Enxergar que começar do zero não é fácil, mas necessário e dar uma chance às novas histórias, novas pessoas, novos capítulos que aguardam ansiosamente sua chance de estreia, afinal a vida é feita de começos, meios, fins e recomeços.
Abrir as portas para o que há de vir não é questão de otimismo. Esqueça essa de copo meio cheio ou meio vazio, alguns copos que insistimos em carregar estão completamente esgotados e são eles que precisam ser deixados para trás. Portanto, brinde em uma mesa de bar e só saia de lá quando estiver disposto a entender que deixar para lá cansa menos, assim como parar de andar por aí carregando os tais copos vazios.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

(...)

O nosso maior problema na vida é que ninguém tem nada a ver com os nossos problemas.

Tempo é precioso. Pare de assistir a séries ou novelas na TV.

Nunca recuse um chiclete de menta.

É possível reconhecer o nível de educação de uma pessoa pela forma como ela trata o faxineiro.

Alongue-se. Aprenda com os cachorros.

Corajoso não é aquele que não tem medo – é aquele que enfrenta o medo.

Se quer conhecer alguém de verdade, leve-o para viajar.

A felicidade sentida com a compra de um carro novo dura poucos dias. Pense nisso quando for investir toda sua grana em um.

Pare de reclamar dos seus problemas. Faça algo para solucioná-los em vez disso.

Para ganhar muito dinheiro, é preciso abdicar do seu tempo. Escolha qual caminho te faz mas feliz.

Entre no mar sempre que tiver a chance de fazê-lo.

O que você fala não significa nada. O que você faz é o que realmente conta.

Independente da situação ser muito boa ou muito ruim, ela vai mudar em algum momento.

Só porque uma pessoa sente saudades de você, não significa que ela está voltando. Sentir saudade faz parte do partir pra outra.

Pra algumas coisas na vida, há somente uma chance. Não a perca.

Não gaste tempo tentando convencer alguém a te amar. Parta pra próxima.

Não force seu filho a gostar de química ou física. Há poucas chances dele precisar disso na vida.

Corte seu cabelo de uma forma que você vai se arrepender. O que não te mata te fortalece.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Você quer amor, mas não quer tentar

Estamos num complexo dilema em que não sabemos mais se existem pessoas interessantes ou se nós é que andamos apáticos e desinteressados. A maioria se diz superinteressada e afirma que o destino é que não tem ajudado. Será mesmo?
Vejo aos montes amigos e amigas que não querem tentar. Querem um amor de filme, receitinha de bolo, que vai cair do céu no meio da sala deles, pronta pra ver um filme com refri e macarrão. Vejo gente botando santo de cabeça pra baixo e jurando de pés juntos que as coisas vão acontecer. Não vão.
Faço uma mea culpa e me incluo no movimento: nós estamos tão interessados no fim da história, buscando o bendito final feliz, que nos esquecemos do início e do meio do roteiro. Nada vai acontecer se você não se der as chances, nada vai rolar sem esforço.
Ficar dentro de casa reclamando que acha ninguém ou viver refém dos aplicativos de pegação virtual (sem sair do virtual) não vão mesmo te apresentar gente nova. Deixar de ir a jantares, encontros, exposições e recusar convites por pura preguiça ou por achar que não é bem o que você quer também não vai fazer nada acontecer. Pra chegar ao topo, temos que escalar. Temos que estar interessados em conhecer pessoas, e isso vai nos fazer cruzar com histórias incríveis, outras nem tantos, algumas pessoas babacas no meio do caminho, outras incríveis que podem virar amigos ou histórias de verão. Nem todo mundo que você conhecer ou que passar por você vai ser o tal amor da sua vida, mas todo mundo tem o potencial de ser. Por conta disso, sou adepto à filosofia de celebrar encontros. Todo encontro é bem-vindo, todo encontro cruza o nosso ponto de vista com o de outra pessoa.
Pode ser cansativo repetir o script de encontros, falar tudo o que você tá cansado de falar, mas isso é outro papo. Mais tarde a gente reclama de tanto ter que tentar até achar alguém. Não vou mentir sobre isso, não vou dizer que é fácil. Tampouco estou dizendo que você precisa se jogar e agarrar toda e qualquer oportunidade que passa pela sua frente, mas falamos sobre ser mais flexíveis. Sobre abrir um pouco a porta e deixar gente entrar. Sobre nos mostrarmos genuinamente mais interessados na vida do outro. Se não for o seu momento, beleza. Continue na utopia de que vai cair do céu e bora reclamar no Twitter. Mas fica a dica pra quem tanto reclama e nada faz: tente. Só assim é que vamos perceber que o mundo tá cheio de gente interessante disposta a se conhecer.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

"Selfie, logo existo"


Vive-se para os olhos dos outros; 
Angústias e ansiedades, Imagem é tudo;
Por notoriedade instantânea em troca do reconhecimento da própria autoestima, pelas curtidas, insta, face, status, tudo é medido.
Zumbis da aprovação alheia. não conseguem ficar cinco minutos sem conferir os 💖 depois de uma postagem, achando que a felicidade precisa de plateia. Mostrar que aparentam ter a vida mais bacana, mas na realidade ...
São solitários,gastam mais tempo na rede social do que na sua própria realidade.Receber um like em um post estimula seu ego a autoestima e alivia sua solidão.
Postar tornou-se um vício,
O efeito da droga dura só até a próxima postagem e a falta de curtidas pode causar crise de abstinência.
Nossas dores, medos, felicidades reais, toda nossa complexidade não cabe em um uma foto.
Isso é só o que queremos que os outros vejam, o que realmente somos fica guardado a sete-chaves em nós mesmo.
Dery H.ngústias e ansiedades, Imagem é tudo;
Por notoriedade instantânea em troca do reconhecimento da própria autoestima, pelas curtidas, insta, face, status, tudo é medido.
Zumbis da aprovação alheia. não conseguem ficar cinco minutos sem conferir os ??depois de uma postagem, achando que a felicidade precisa de plateia. Mostrar que aparentam ter a vida mais bacana, mas na realidade ...
São solitários,gastam mais tempo na rede social do que na sua própria realidade.Receber um like em um post estimula seu ego a autoestima e alivia sua solidão.
Postar tornou-se um vício,
O efeito da droga dura só até a próxima postagem e a falta de curtidas pode causar crise de abstinência.
Nossas dores, medos, felicidades reais, toda nossa complexidade não cabe em um uma foto.
Isso é só o que queremos que os outros vejam, o que realmente somos fica guardado a sete-chaves em nós mesmo.
""Dery Hoffmann""
Vive-se para os olhos dos outros; 
Angústias e ansiedades, Imagem é tudo;
Por notoriedade instantânea em troca do reconhecimento da própria autoestima, pelas curtidas, insta, face, status, tudo é medido.
Zumbis da aprovação alheia. não conseguem ficar cinco minutos sem conferir os ??depois de uma postagem, achando que a felicidade precisa de plateia. Mostrar que aparentam ter a vida mais bacana, mas na realidade ...
São solitários,gastam mais tempo na rede social do que na sua própria realidade.Receber um like em um post estimula seu ego a autoestima e alivia sua solidão.
Postar tornou-se um vício,
O efeito da droga dura só até a próxima postagem e a falta de curtidas pode causar crise de abstinência.
Nossas dores, medos, felicidades reais, toda nossa complexidade não cabe em um uma foto.
Isso é só o que queremos que os outros vejam, o que realmente somos fica guardado a sete-chaves em nós mesmo.
""Dery Hoffmann""

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Desde quando frieza torna alguém interessante?


Demonstra que pensa em mim, pode aparecer com aquele papinho de “estava passando e resolvi subir”, eu garanto que vou adorar. Não precisa fingir que não dá a mínima, já há tantas pessoas que fazem isso tão bem.
Não finge que não lê os meus textos, isso é tão patético e tão inútil. Eu vou querer saber que você sorriu de canto em alguma frase ou que detestou completamente, mas, por favor, se recuse a ignorar o que te toca.
Manda áudios, sim. De preferência, me liga. De preferência, me convida pra um cinema. Não precisa esperar que eu te convite – eu convidaria, você sabe, eu não nunca finjo desinteresse, mas não precisa esperar se não quiser. Diz que o novo filme seria uma boa ideia, eu vou concordar e sorrir.
Pode dizer que já escolheu o filme porque estava realmente esperando pelo nosso encontro – eu também estava, e daí? Desde quando frieza torna alguém interessante?
Eu vou continuar dizendo que estou com saudades, vou continuar tomando a iniciativa de marcar um chopp, vou continuar demonstrando, de propósito, que me lembro sempre de todos os seus detalhes, vou continuar fazendo jus à capacidade fascinante que a gente tem de sentir.
Está liberado sentir. Me mostre que ainda há seres humanos entre nós.

domingo, 13 de maio de 2018

Gente morna não me convém


Porque eu gosto mesmo é do que me tira do estado de apatia, do que me inquieta o cérebro e bota para pensar. Eu tenho uma queda por quem me intriga, desafia e rouba o controle.  Esse gosto pelos limites da vida, por vezes me mete em encrencas não previstas, admito, mas por outra ótica, me faz desfrutar prazeres que eu não teria acesso, estando sentado no tédio de uma sala com ar condicionado e tv à cabo.
Talvez eu soe dramático e até ranzinza, mas ainda não consegui acompanhar a agilidade do desapego moderno. Parece que estamos vivendo de relações rasas, diversão rápida e conversas adiadas. Você recebe a mensagem e deixa ela lá, guardadinha, para ser lida e respondida depois. Você grita sua independência e satisfação pessoal nas mesas de restaurantes badalados, em encontros marcados por aplicativos e em festas de família. Como se  não precisasse de quem está ali, de fato, ao seu lado. 
Somos mornos. Como café requentado de repartição publica envelhecida. Somos narcisistas.  Não precisamos dos elogios alheios, nossos livros de auto-ajuda ensinaram e nossas redes sociais externaram.  Mas nós mentimos. Todo o tempo, com voracidade. Estamos carentes e por baixo do discurso de “tô ótimo”, vivemos tentando chamar a atenção e garantir um pouco de amor para degustar como sobremesa, depois de comer aquele prato enorme de sushi, porque sushi rende mais “likes”, claro.
Fingimos interesse no trabalho, ignorando completamente a vontade de levantar da mesa e mandar o chefe pastar. Fingimos sentimentos, para ter orgasmos fingidos  com pessoas que não nos enxergam, em parte porque nós mesmos não permitimos.
Estamos ficando sem assunto. Temos manchetes de jornais decoradas, discursos ensaiados e monólogos completos sobre qualquer coisa, que tenha sido pauta recente no facebook. Mas basta alguém discordar e lá estamos nós, perdendo o rebolado, a linha de argumentação e até o respeito. Nos tornamos incapazes de manter uma conversa que aprofunde, fique intima ou que faça pensar.
Nos medimos, todo o tempo, comparamos e prescrevemos nossos próprios medicamentos. 
Tá faltando paixão. Aquela que te movimenta o corpo, aquece a alma, arrepia a pele, deixa os olhos úmidos e faz querer viver. Tá faltando perder o medo de mergulhar fundo, de largar tudo e recomeçar, mesmo que do zero, apenas com coragem de correr atrás dos sonhos que não nos deixam dormir. Falta dar atenção para o que se tem nas mãos e dar valor para quem está perto.
Precisamos de mais fôlego, mais vontade de viver as coisas que temos e menos de ter mais coisas. Porque a vida é um negócio que passa pela gente mais rápido que trem bala, quando você vê, ela tá lá longe e você perdeu novamente o bonde.

Loui K.