sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Contém Amor

Eu quero um amor simples, sem muita gritaria, nem a necessidade de postar a cada 10 minutos que tenho alguém. 
Eu quero um amor tranquilo, onde possamos sentar e conversar sobre o que não se encaixa, ao invés de fazer joguinhos emocionais e disputar no fim quem está mais ferido.
Eu quero um amor sereno, daqueles que a gente pode sentar em um sofá num sábado a noite e pegar pipoca, sorvete e chocolate para assistir qualquer coisa legal, sem a sensação de estar perdendo tempo. 
Eu quero um amor real, longe de qualquer perfeição, com seus erros, para consertarmos juntos, com seus medos para confiarmos juntos, porque amor é amor, o resto é gritaria desnecessária.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Dar e Receber


Sou a favor da mutualidade
Não sei dar afeto pra quem não me dá nada em troca
Essa coisa de " fazer o bem sem olhar a quem" não mexe muito comigo
Faço bem a quem me faz bem, amor e quem dá...
e para quem não dá...sou apenas um estranho
Mas cada um tem sua escolha
E a minha já foi feita:
A estrada deve ser uma via de mão dupla, como se fosse via de mão única!
Pois sou fã de pessoas que sabem retribuir meus atos.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Te Baguncei


Eu queria te bagunçar, sim. Mas a bagunça que eu buscava envolvia só cabelos desarrumados, roupas amassadas, lençóis pelo chão. Era essa bagunça que eu queria e não a que eu causei.
Desculpa pelo amor sem medidas que você me deu. Eu não tinha a quantia necessária para retribuir de forma justa, mas achei que conseguiria alcançar algo semelhante um dia. Por isso deixei acontecer. O que eu não percebi é que, quanto mais eu permitia, menos eu sentia. No fim, não era amor… É que você me fazia um bem danado pra eu abrir mão tão fácil.
Desculpa o meu egoísmo filho da puta. Acredite, eu me odeio por saber que te baguncei nesse tanto. Eu te vejo sem saber o que fazer agora, já que joguei todos os nossos planos fora. Eu os quis, sabe? De verdade. 
Aguentar o peso do seu coração nas minhas mãos não é fácil. Eu queria que você voltasse a sorrir como antes. E quero muito que você não tenha medo de amar assim de novo. Ame! Eu é que sou o problema – por mais clichê que isso possa parecer. Você ama bem. Ama de verdade e isso é tão raro hoje em dia. Eu sou prova disso… Você deu azar ao me escolher.
Se eu pudesse, voltaria no tempo. Passaria reto por você naquele local que a gente se conheceu. Não teria te passado o meu número nem teria aceito o seu convite para a semana seguinte. Não teria deixado você se apaixonar por mim. Não teria te machucado. 
Não teria sido eu.

Quantas curtidas esse texto merece ?

Não sei se eu que estou muito errado, mas nada disso faz sentido para mim.
Existe uma ânsia de demonstrar ser, mais do que realmente ser. Pessoas tiram fotos com copos e sorrisos falsos, enquanto a balada estava quente, insuportável e lotada. Mas o mundo acha que foi bom e isso basta. Aquele sorriso diz aos outros “olha como eu me divirto!”. Mesmo que no fundo nada disso seja real.
Existe uma necessidade invisível de mostrar ao mundo que cada um está vivendo o relacionamento mais perfeito da vida. “Olhem, pessoas, como meu relacionamento é um conto de fadas. Sou uma princesa, esse é meu príncipe e vamos viver felizes para sempre – postando fotos e frases apaixonadas para vocês morrerem de inveja do nosso amor.”
Esse jogo de “ser e aparentar ser” não tem vencedores. Todos são perdedores: perdemos tempo tirando fotos para os outros verem, perdemos a beleza do momento que passa enquanto procuramos o melhor filtro do Instagram para registrá-lo, perdemos chances de olhar nos olhos e dizer “você está lindo(a)!” enquanto digitamos isso em nossos smartphones.
Confesso que não tenho fotos que registrem os melhores momentos da minha vida. Simplesmente porque nos momentos mais felizes de nossas vidas, não nos preocupamos com o que os outros vão achar, não pensamos onde está o celular. Pensamos em curtir (de verdade, não clicando em um botão) cada instante, pois sabemos que não há foto nem nada nesse mundo que possa trazer de volta o AGORA, o instante que passa.
Não, não precisa curtir meus textos, minhas fotos, minha vida no story. Não precisa curtir nada. Prefiro que venha viver os melhores momentos da minha vida comigo. Sem fotos mas com toda a felicidade a que temos direito. Não precisa elogiar nos comentários, elogie olhando nos olhos, é tão mais gostoso. Não precisa compartilhar meus textos, compartilhe sua vida comigo, cada minuto é de inestimável valor.
Não precisa curtir nada nessas vitrines de vaidades que são as redes sociais. Curta a vida. Com todos os seus sentidos, com toda emoção. O tempo não para. O tempo não volta. O tempo é o bem mais precioso de nossas vidas. 
De que maneira você tem curtido sua vida?

domingo, 30 de dezembro de 2018

Atalhos

Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 32 anos. Ou 40. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Exceto no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
Pra enrolação...atalho.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Jogo!

Não gosto de jogos, sabe? Costumo perguntar se a pessoa tá interessada, se ela deixou de se interessar, se eu ainda perco algum tempo com ela ou sigo a minha vida. Costumo deixar claro o convite, seja ele para vir dormir comigo ou para se retirar. Não dou meias respostas: me expresso. Digo com palavras, com frases diretas que não têm segundas intenções, mas têm primeiras. “Quero te ver, pô”, “Você me encanta’, “Acho que estou me apaixonando”, “Não me machuca, por favor”, “Eu não tô vendo ninguém”, “Acho que essa música combina com você”, “Lembrei de você ontem”, “Será que rola da gente se ver?” etc e tal. E também não aceito mais meias respostas. Sabe por quê?
Porque essa mania de esconder o que se sente tá matando os nossos relacionamentos. Tanta oportunidade bonita de ver broto florescendo e a galera chega tacando areia em cima da plantação. Escolhem viver num toma-lá-dá-cá cheio de estratégia que cansa pra cacete, convenhamos. E nesse ping-pong da vida, uma hora alguém cansa de jogar. Sabe o que acontece quando um deles sai de campo? O jogo acabou sem nenhum vencedor. Sobra só alguém que insistiu muito em se esconder sozinho na sala.
O problema não é o sentimento ou a falta dele. Essas coisas acontecem, ter interesse é essencial. O problema é o discurso do sujeito que não consegue ser sincero e dizer o que sente, mesmo que sinta nada. E a gente já gasta oito horas por dia trabalhando, tem que dormir mais oito horas, e as horas que sobram no intervalo entre essas são as raras que temos para viver. Viver vai muito além de gastar tempo com gente pouco esclarecida, que ainda não entendeu que não precisa de manual e técnica de sedução furada pra conquistar alguém.

sábado, 24 de novembro de 2018

A Menina do TCC !


Ela tinha algumas ideias e as apresentou ao professor, mas o  (maldoso, maldito, cruel, perverso, desumano, insensível, desalmado, tirano, facínora, criminoso, sanguinário...) professor em especial fez ver que aquilo não estava certo e que precisava ser feito de um jeito totalmente diferente. A menina – era apenas uma menina – ainda tentou argumentar alguma coisa, mas depois se convenceu de que havia tido uma ideia estúpida mesmo. Pensou em outra coisa, mas a sua nova ideia trazia mais dificuldades. O professor apresentou muitas sugestões, mas cada sugestão apontava para um lado, e no fim a menina se viu com um leque imenso de possibilidades, sem fazer a menor ideia de qual caminho deveria seguir e escrever.

Ela só queria se formar, ela só queria exercer a profissão, talvez fosse apenas aquela que lhe daria um emprego. Mas ela não se formaria, não teria uma profissão e muito menos um emprego legal se não fizesse o diabo daquele TCC. A menina se esforçava, fazia de tudo para atender às exigências que lhe faziam, só que nunca parecia o bastante. Havia sempre algo a mudar ou adequar e, quando ela achava que já havia feito um bom progresso, aparecia o professor e a fazia voltar ao ponto de partida. Era preciso seguir muitas regras que ela não compreendia exatamente. 
Então houve um momento em que a menina achou que nunca seria capaz de fazer aquilo. Ela não daria conta de fazer aquilo que estavam pedindo, ela não conseguiria escolher um dos caminhos que lhe ofereciam, ela não poderia jamais botar uma ordem naquele emaranhado de ideias. Ela tentava, estivera tentando até então, mas não dava. E o seu fracasso era uma coisa tão triste, e as consequências que ele traria seriam tão graves, que houve um momento em que ela perdeu o controle de si e se desesperou.

Chorou, chorou um choro muito sentido, um choro que devia estar sendo guardado há bastante tempo. Era também uma maneira de se defender de toda aquela pressão que colocavam sobre ela. Claro, o professor recuou, disse que não tinha a intenção, que só queria ajudar. Mas o professor redobrou as suas tentativas de consolar a menina. Ainda chorava, mas se esforçava para conseguir parar. Por fim, ela se acalmou, o professor falou umas frases de incentivo e a menina se foi, mais desorientada do que antes.

Ela só queria ter uma profissão.