terça-feira, 22 de março de 2016

Eis o asco.


Era pra ser o suprassumo animal, o recorte sempre perfeito de uma vida cheia de maldizeres. Mas não é assim não.Depois que a poeira abaixa, logo em seguida da brasa esfriar, nem sempre a coisa anda. Não é dessa maneira que a gente queria, mas se a vida assopra, é porque ela logo vai bater de novo. De quando em quando, a gente se pega na situação inerente do asco pós-coito, aquela mazela que surge depois que o sangue começa a fluir novamente por todo o corpo e não só nas genitálias, uma coisa ruim de se perceber em algum lugar que não se queria estar com uma pessoa que não era exatamente quem você passaria uma madrugada toda batendo um papo.Nem estou dizendo que a escolha foi erro nosso, que, já que optamos -- em alguns momentos -- o sexo pelo sexo, nada mais justo que ter que aturar o que vem depois. Não posso dizer, claro, por todo mundo, mas creio que foram pouquíssimas as vezes em que eu fui para o tão desejado sexo com alguma garota que eu não tinha um mínimo de sentimentalidades de carinho, curiosidade e amizade.Só que o sexo abre muitas portas, mostra muitas caras, evidencia muito de você e da outra pessoaDaí, quando ainda nem percebemos, o toque da pele se transforma em algo incômodo, a voz adentra aos ouvidos de forma mais áspera, as luzes do quarto ficam menos convidativas, a cama parece ter criado pregos. 

Jader P

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dessa vez a saudade venceu


Já que não deu certo, é melhor que fique assim. A gente se afasta e cada um vai tocando a sua vida. A gente se afasta e depois de um tempo finge que superou, que não sente mais nada e até arrisca andar de mãos dadas com um novo amor. A gente se afasta e guarda tudo dentro do peito. Escondemos o sentimento dentro de um potinho e fazemos de conta que tudo aquilo não existe mais. E aí a gente vai levando até quando suportar. Até quando um dos dois não mais aguentar. A gente vai. Com a lembrança do verdadeiro amor que escapou por entre os dedos. Com a certeza de que nunca mais sentiremos nada parecido. Sentindo o cheiro do perfume e lembrando o toque dos lábios. A gente vai porque o orgulho não nos permite voltar atrás. Porque já nos machucamos demais. A gente vai, mas a felicidade não. A gente vai. A gente foi. A saudade fica. Fica na camisa rasgada e nas brincadeiras dentro do elevador. Fica nas lembranças daquela viagem e naquele fim de tarde. Fica no vazio do sofá e do coração. Fica aqui e fica aí também, mas a gente não precisa admitir. A saudade é grande, o orgulho é maior ainda. Está tudo bem. Neste mundo torto quase ninguém termina ficando com o grande amor da vida mesmo, apesar de todos fingirem que sim. Quem somos nós para irmos contra? As coisas são como elas são. E, de tanto fingir que está tudo bem, quem sabe um dia a gente acabe acreditando. Muitas vezes é melhor levar uma vida sem grandes riscos. E aí, por não conseguir domar o tigre, a gente acaba se contentando com o gato. E agora é conviver com aquele bichinho monótono, cansado e preguiçoso, porque nos faltou coragem de assumir o desafio que seria lidar com algo tão selvagem. Animais domesticados não precisam de grades. Então é isso. Agora a gente vai. Fingindo que está feliz e tentando esquecer o nosso potinho secreto. O problema é que quando se é feliz de verdade uma vez na vida, você já não mais sorrirá igual por qualquer coisa. Desculpe por ter aberto nossas lembranças assim sem avisar. É que é mais difícil ser um bom ator em noites de chuva. Dessa vez a saudade venceu.
Rafael M.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mais um Ano.



Seja tolerante: aprenda a compartilhar as igualdades com alegria, mas também a respeitar e celebrar as diferenças inerentes dos seres humanos, que tornam cada um de nós único e insubstituível. Questione o senso comum, diariamente: das tradições, superstições e ideias mais tenazes aos preconceitos mais arraigados, estando a se levantar contra as incoerências e injustiças. Crie ideias próprias, lógicas, saudáveis e coerentes. Mas esteja também aberto a discordarem de você, valorizando a discussão, e não o conflito. Aplique a racionalidade, a faculdade que mais lhe diferencia dos demais animais, para tomar atitudes e posições mais sensatas, e não aquelas baseadas única e exclusivamente em dogmas e premissas imutáveis. Modele sua visão do mundo de acordo com os fatos, e não os fatos de acordo com sua visão de mundo. Não deixe lugar para o egoísmo e mesquinharia intelectual. Há males terrenos piores que qualquer danação eterna, pois prejudicam seu próximo, aqui e agora. Antes de sair pedindo por vida nova, prometa a si mesmo mudanças para melhorar o mundo em que vivemos e busque a convivência pacífica entre os seres, humanos ou não. Respeite não somente o próximo, mas a Natureza, pois dela viemos e a ela retornaremos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Você se contenta com pouco no sexo ?


Quando vejo uma linda mulher em algum lugar eu sempre me pergunto se ela está verdadeiramente satisfeita com o sexo. Fico pensando - uma mulher gostosa e linda assim deve ser muito bem tratada pelos homens, não é mesmo? Deve ter milhões de orgasmos e dormir feliz sempre! Mas será que isso é verdade? Claro que essa pergunta serve para todas as pessoas em geral, mas vou exemplificar com as mulheres consideradas mais atraentes. Será que elas estão satisfeitas com a qualidade do sexo que têm (pois deveriam) ou estão simplesmente se contentando com pouco?


Pensei sobre isso hoje na praia quando vi uma menina linda de uns vinte poucos anos maravilhosa, toda gostosinha passando na areia. Será que ela está realmente satisfeita com a sua vida sexual? Tudo me leva crer que não e vou explicar porque acho isso. Sigam o meu raciocínio.

Você é jovem, tem um belo corpo com pequenas imperfeições quase imperceptíveis (o que é normal), tem cabelos lindos, uma pele maravilhosa, seios firmes, um belo quadril, se veste bem e pode ser considerada uma bela mulher. Ainda não vivenciou muitas experiências sexuais, mas também não pode dizer que é "virgem". Teve namorados com idade compatível aqui e ali, tudo muito normal e até acha que essas experiências foram bem legais! Se ela se conhece bem, pode estar se perguntando se foram mesmo? Talvez seja a hora ideal para ter uma experiência verdadeiramente interessante e prazerosa no sexo. O problema é, como encontrar o homem que possa suprimir esse desejo?

Pois é, ai que está o problema. Como saber que o cara é capaz de te fazer sexualmente feliz? Ainda não temos a resposta, vamos tentar chegar lá.

Acredito firmemente que a satisfação sexual de uma mulher está basicamente relacionada com dois fatores principais. O primeiro é como a mulher encara o sexo. Se ela tiver uma mente livre para explorar a sua verdadeira sexualidade, ela já tem metade do caminho percorrido para uma vida sexual feliz. As mulheres têm o sexo muito ligado com o que pensam e se ainda rolar alguns grilhões psicológicos o sexo pode não ser tão satisfatório. Em segundo lugar, a habilidade do homem para satisfazer a mulher. Isso também é importante óbvio. O homem que não sabe como fazer uma mulher gozar não está com nada e a mulher não deve se conformar com isso não é mesmo?

O problema é que muitas dessas garotas que ainda não experimentaram uma bela transa, geralmente passam por esses dois problemas ao mesmo tempo. O primeiro só pode ser resolvido por elas mesmas, portanto meninas liberem as suas cabeças para o sexo. Esqueçam os preconceitos idiotas que a sociedade ainda nos impõe e descubram suas sexualidades verdadeiras.

Mundo moderno !





domingo, 26 de abril de 2015

Porque a rejeição dói tanto


Por que sofremos tanto ao terminar um relacionamento ou ser despedidas de um trabalho?

Resposta: ego, narcisismo, vaidade, apego.

Relacionamento e trabalho são algumas das principais maneiras de criarmos identidades.
Não somos nunca apenas o "Paulo" ou a "Joana". Somos o "Paulo da Maria Teresa". Somos a "Joana da Petrobrás". 
Essas identidades nos dão apoio, respaldo, contexto social. Ajudam a sufocar um pouco o vazio existencial que nos oprime.
Por isso, ser rejeitado pela Maria Teresa ou despedida da Petrobrás dói tanto.
Porque não é só um relacionamento ou um emprego que se vai. 
Perdemos também aquela personagem que investimos tanto esforço em criar, cultivar, consolidar. 
E nem mesmo a certeza de que em breve estaremos em outro relacionamento, em outro emprego, serve para mitigar um pouco desse enorme luto narcísico pelo falecimento de mais uma de nossas tantas identidades.
Nunca mais seremos o "Paulo da Maria Teresa". Nunca mais seremos a "Joana da Petrobrás".
Apesar de tanto trabalho, somos de novo só o "Paulo", só a "Joana", pequenas e solitárias primatas, vivendo suas vidas sem sentido na superfície de uma bola de pedra girando em torno de si mesma e se deslocando em círculos pela vastidão vazia do espaço.
A intensidade da nossa dor é diretamente proporcional à intensidade de nossa fé na existência concreta dessas identidades ficcionais que inventamos.
É tudo ego, é tudo apego, é tudo vaidade, é tudo narcisismo.
Acreditamos que, do lado de cá dessa camada de pele, existe o eu, minha identidade, minha reputação, coisas que podem ser protegidas e preservadas; e, do lado de lá dessa camada de pele, existe o universo, as outras pessoas, os passarinhos, os meteoros.
Mas é tudo ilusão. Uma ilusão insustentável. Uma ilusão que nos causa imensa dor sempre que se desfaz, desaba, despenca, desaparece.
Não existe eu aqui e o universo ali. Só existe o universo.

Alex C

domingo, 22 de março de 2015

Fantástico Mundo Dos Solteiros ( onde ninguém encontra ninguém )


Preste atenção num fato curioso: tem muita gente solteira, maior de idade, vacinada, que tem Facebook (e um monte de outras redes sociais) e que fala com dezenas de pessoas diariamente. Gente nova num tweet, amigo de algum amigo teu que conheceste no bar,um estranho que elogiou o livro que você lia no metrô, a guria nova que comentou na sua foto do Instagram: nada é restrito apenas ao mundo online. No fim do dia, eu e você vamos ao Facebook causar um pouquinho e perguntamos, bradamos, fazemos panelaço sentimental num grande protesto levantando uma bandeira com os dizeres “Por onde andam as pessoas interessantes?”
O problema é que a gente tá esperando cair do céu um ser humano formado por uma lista infindável de características que a gente pediu pro Papai Noel, sem se dar conta que nem Papai Noel nem o tal do ser humano perfeito existem. Tentamos o tempo todo encontrar pessoas perfeitas, feitas de filme, gente que a gente adoraria assistir sentado no cinema. E quando a gente dá de cara com alguém que trabalha, estuda ou faz os dois, que mora longe, que não gosta exatamente das mesmas coisas que a gente, que vota diferente, que tem cabelo de uma cor engraçada, coisa e tal, a gente grita PRÓXIMO!
Num mundo em que encontros são tão fáceis, a gente não para de se esbarrar. Esbarramos em alguém, damos uma breve olhadinha e se a pessoa não for exatamente aquilo que a gente quer, a gente volta pra multidão pra esbarrar de novo. Falta tolerância e foco. Tolerância pra entender que nem sempre um amor bom vai caber no nosso check-list, nem sempre vai se mostrar à primeira vista. Foco pra ficar um tempo no mesmo lugar e conhecer um pouco mais sobre quem a gente encontra; afinal de contas esse é o tal sentido do encontro, todo o resto é esbarrão. Se você não perde alguns encontros, horas, papos e tudo o mais, como é que pode ter tanta certeza que não era a tal pessoa?
Você vai me dizer que nem pede muito, que esse não é seu problema. Que as pessoas que aparecem é que não te dão borboletas no estômago, não te causam azia sentimental. Mas como é que você quer sentir isso se você nem dá oportunidade pra que ela te cause isso, se ao primeiro sinal de descontentamento você pula pra próxima? Se ao invés de focar nela, você fala com mais 5 pessoas ao mesmo tempo torcendo para que algo dê certo nessa roleta russa amorosa.
O problema do mundo dos solteiros são os próprios solteiros. As regras não mudaram, nós é que nos tornamos exigentes demais pra coisas que nem podemos oferecer. Nós é que ganhamos um monte de ferramentas de comunicação que nos apresentam diariamente mais e mais pessoas e não sabemos lidar com isso. Pessoas interessantes existem ao montes, mas quanto tempo demora para você realmente identificar isso em alguém? Eu não sei. Enquanto escrevia esse texto já estava bolando a minha próxima paixonite (sendo que a última nem tinha esfriado). Esbarrões, saca? Voltei pra multidão. E você provavelmente também fez isso
Texto: Daniel B.