domingo, 16 de março de 2014

Egoísmo

Eu abro mão de você de uma forma carinhosa até. Você me afaga e eu mato esse amor que você sente porque você nunca vai poder contar comigo direito. Não sei se é insegurança ou se é só coisa de homem com alma de menino. Não sei se vou ou fico, não sei se te mantenho por perto sabendo que posso te fazer sofrer ou se te faço sofrer por não te manter por perto. De um jeito ou do outro eu sou errado demais pra que você possa acreditar que te amo. Incoerente e sem nexo nenhum. Sem discussões. Mas é triste ver o brilho dos teus olhos quando a gente finalmente se reencontra depois de eu te ligar às duas da manhã pra dizer que tô chegando.
Dessa vez o táxi tem destino apenas de ida. Você tomou coragem e mostrou que a menina dos seus olhos decidiu tirar umas férias e deixar uma mulher decidida no lugar. Enfurecida, machucada e completamente certa do que quer. Você resolveu ir embora de vez e se despedir da minha covardia. Justo. Também não gosto de gente indecisa que diz que ama e faz completamente o contrário. Meu jeito errado demais de amar podia ter matado nós dois. E espero que esse cara que você vai achar em algum lugar do mundo possa ter a sorte de te encontrar com o coração aberto e pronta pra outra. Eu sei que fiz um baita rombo e que merecia ser chamado de filho da puta pelo resto da vida. Mas é melhor assim. E você pode me fazer um baita de um favor, hein. Se algum dia te perguntarem que gosto é esse de sentimento morto nos teus lábios (esse gosto de saudades, arrependimento e decisão), você pode responder: “Simples: o meu grande amor me matou uma vez. Aceitar o novo amor que me abraça é uma chance de voltar a viver”.
E que ele aceite o desafio de te trazer de volta à vida. Espero que você possa confiar quando o seu novo amor for puxar a cadeira. Não, ele não está abrindo a porta desse táxi para te deixar ir embora de vez. Não, ele não está abrindo mão de você pra sempre por algum medo estúpido que nem ele mesmo sabe explicar. Não, ele está sendo gentil. Mais gentil do que eu um dia poderia ter sido ao te prometer um abraço.

Daniel B

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ilusão

Não trato como prioridade quem me trata como opção ..pessoas especiais tem atitudes especiais

Era para ser de um jeito...
O tempo não nos deixou opção
Agora é tarde..., todo tempo que devia ser aproveitado, foi no entanto desperdiçado...
E meu amor? Ele por você também foi desperdiçado...
É uma pena... eu ia te amar pelo resto da minha vida.
A vida é ingrata. Comigo sempre é ingrata.
O que faço com o amor que há em mim?
Torno-me então um ingrato com a vida...., estamos quites!
Nada mais votará a ser como era antes.
Não vou chorar mais, mesmo que o choro queira sair, ele não vai sair.
Eu tive que ser forte a vida toda.
Serei forte até o fim. Esse é meu fim.
E o amor? Ele não existe..., é apenas uma ilusão que a vida planta na gente.
Não há amor sem razão, não há razão sem amor.
Ele é ilusão!
Uma linda ilusão...
Quem não quer ser feliz? Ele não faz isso com ninguém.
Fugi com a minha razão e fomos para longe da loucura de amar
Ou se é feliz ou não! Não existe amor.
Não existe paz, sem amor, não existe razão sem amor
Não existe amor sem razão
Não existe nada, tudo é ilusão!
Forma em mim uma grande confusão...
Não quero amar mais não....
Tudo é ilusão
Eu não existo então!
Eu não existo não...

Michelle M

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Morena.



Olha só, morena. Quanto tempo faz que a gente não se vê? Você pode não lembrar, mas você nunca deixou de ser você. Aquela menininha com o chiclete de maçã que um dia me disse “eu ainda caso contigo, guri”. Tão tonto e tão moleque, eu não entendia de flores, amores, futuro, vida adulta, responsabilidades e blá, blá, blá. Vai ver era isso que fazia a gente dar certo na hora do recreio. E o sinal batia, mamãe chegava, você me dava um beijo na bochecha e o seu vestidinho florido desaparecia na esquina do fim da rua.
Olha só, morena. Hoje eu abri o jornal e parece que a chuva vai apertar amanhã. Tá levando guarda-chuva? Engraçado que quando eu ouvi “guarda-chuva” pela primeira vez, eu pensei numa caixa. Um guarda-água pra gente usar quando quisesse viver um amor líquido de cinema. Morena, essa gente do jornal é tão sem esperança. Transformaram as tragédias em rotina. É que as alegrias de bolso não dão manchetes. Elas são bobagem perto do caos. Daí eu viro a página e vejo o seu rosto sorrindo pra mim. Será que eles acreditam que a gente ainda pode salvar esse mundo?
Olha só, morena. Você não mudou nadinha. Hoje em dia eu só te vejo na TV. Você brinca de vilã, doce, sonsa e mocinha e mal sabe que, no fundo, me faz bem. Você diz que não entende o que eles vêem em você. Mas é que a capa e a fantasia te caem bem. Super-heroína, sabe? Aquela mesma que largou meu Saturno para tentar salvar o seu. Você me liga às vezes pra contar daqueles dias. Espero que não faça frio aí. Leva um casaco e ma maçã e me manda um e-mail. Se isso não bastar, eu corro aí. Mesmo que eu não me destaque na sua multidão de seguidores e seguranças, eu corro.
Olha só, morena. O relógio anda voando. Eu peguei meu violão e musiquei a gente. E o tempo fez ciranda de nós enquanto eu fazia esse som. Talvez você acorde meio tarde demais desses seus novos planos e se lembre do início antes do fim. No próximo fim de semana eu espero mais um pouco para te ver na piscina me olhando com algum carinho que a gente tem. Fico segurando a sua lancheira para não perder tempo no nosso recreio. Mesmo sabendo que uma hora o sinal bate e você desaparece na esquina de novo. Amanhã não tem aula e eu não vou te ver, mas eu corro aí. No fim, eu sei que você sempre se lembra de mim quando dá o comercial entre as suas cenas. É por isso que eu nunca mudo o canal da TV. E nem tiro aquele anel que você colocou no meu dedo uma vez.

Alguém Chamado Saudade.


Deixei a tua mesa do jeito que você deixou. partidas só não me incomodam mais que caixas. acho que não suportaria tantas caixas na sala de uma vez. vai uma e eu fico, vão duas e eu vou junto. eu sou meio que a medida do que dói e do que fica. essa semi-dor é aquela coisa pequena que ninguém vê, mas que palpita primeiro e depois explode. explode quando toca o rádio e quando cai o sol. explode quando o filme é sutil demais e me deixa pensar por onde você anda e por que eu decidi trocar você de lugar. o nosso amor desandou na viagem da casa. e a gente se esquece disso quando bate a saudade.
Eu me lembro do bom e do resto. mas a saudade só se lembra do bom. saudade é fotografia viva na minha parede. não mancha nem com o vinho que eu atiro nas noites de loucura. não desbota nem com a fogueira que eu faço quando a loucura me domina. não se esquece nem quando a nota musical grita um lá… quando eu me lembro de você é sempre dó e o violão parece chorar comigo. mas eu entendo. no fundo todo mundo entende e não quer aceitar o clichê. é que não tinha mais como ficar aqui. melhor guardar essa saudade do que viver a falta todo dia. a nossa falta era diária e o diário foi ficando pesado.  e quando eu decidi rasgar as folhas dele, decidi mudar o meu modo de escrever sobre a gente. mudei a minha gramática e as minhas regras de escrita. abandonei as maiúsculas e as nossas reticências vazias de significado. mudei de lápis, te tirei da estante e fechei a porta. mas a tua mesa continua ali, do mesmo jeito. só que com saudade.
E você sente saudade? saudade de quê? ela tem um quê de mim ou esse meu sorriso meio esperançoso é coisa só minha ainda? ah…deixa pra lá. a gente sempre deixa. eu deixo o vinho na sua mesa quase toda noite. mas não quero que você volte. não…a gente tá melhor assim e você pode não saber. mas eu sei e gosto disso. gosto dessa saudade que virou meu norte. essa minha saudade que é diferente das outras e não se esconde. é saudade que sorri pros outros e sorri pra vida. é saudade boa que fere um pouco e retoma a noite. saudade de apego com um sentimento de nunca vou te abandonar. me conforta. me faz sentir como se eu tivesse escolhido o melhor de você e vivesse cada dia lembrando um pouquinho de como foi me apaixonar por esse seu lado B. é, moço… você foi e foi bom. foi bem. a nossa viagem de casa anda melhor assim porque antes nem andava.  e eu aproveito pra brindar com quem me entende e não faz falta. com quem me leva, me dá alento, me devolve o sono e me faz abraçar o travesseiro mais ternamente. e enquanto eu te falo sobre essas coisas, o vinil dança e dita o ritmo da minha companhia. veja bem, meu bem…arrumei alguém chamado saudade.

Daniel B.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Hedonismo


"Hedonismo é Pecado?Discordo.Hedonismo é felicidade fértil...É felicidade que se esconde num sorriso,numa paisagem ..."

Em Objetos que recriam sensações...

"Na magia de um leve embriagar..."
"Na noite...Misteriosa e Surpreendente como só ela sabe ser..."

"No Amor...E no Humor!"

"O meu Hedonismo é palatável,sensorial...Fresco como fruta recém colhida...Doce.Como deve ser...Úmido e Pulsante.Livre e Navegante..."

"...É ter a sensação de que se está apaixonado...Sem saber porquê...Sem saber por quem...É simplesmente se apaixonar pelo jogo cotidiano da Vida,essa Deusa de linhas tortas"
"E quando você descobre alguém para amar??Existe Hedonismo maioR?Não!!!E quando esse certo alguém te corresponde...Existe maior sorte no mundo??Não!!!Reciprocidade de Sentimentos:Eis o Hedonismo Mor!"
"Cheiros,teXturas,histórias,literatura...Me deixe horas largada nessa vibe!!!Identificou prazer?Hedonismo na certa!"

Amar um ser incondicionalmente.Também é um fundamento meu...

"A paixão por si próprio,a vaidade,a sensualidade...A possibilidade de ser criatura dominada...A possibilidade de saber que vc domina...Mesmo que por alguns segundos,mesmo alguns olhares, enquanto passa na rua...Auto Estima:Existe Hedonista sem isso?"

"Solidão.Muitos não considerariam um princípio Hedonista.Discordo totalmente!!!Estar só e na mais completa solidão,as vezes é melhor maneira de estar acompanhado...De suas próprias ideias,sensações moldando-os e aprimorando-os para um belo dia joga-los ao mundo,ao sabor delicioso do vento e das pessoas..."

O Hedonismo Se fosse representado por uma cor seria Vermelho,se fosse um gênero Feminino,se fosse uma parte do corpo Humano as Mãos...
"Ter a "impressão de que nada é ilegal imoral ou engorda." "Sem magoar outras pessoas...Ou ao menos tentando não fazer isso...Não somos perfeitos...Vamos tocar o F.O.D.A-Se pros idiotas com Classe e Elegância...Garbosos!

"Ah!!!O Hedonismo expresso de sua forma mais famosa...A sensualidade...Os sensuais Hedonistas são Belos,são Não tão belos,são feios...mas tem uma coisa em comum:São Hedonistas Plenos...A sensualidade,a sexualidade,os pactos com Baco,o cheiro,o gosto da Pele...ahhhh"

Hedonismo expresso na dança,no movimento dos corpos, dos ossos..."
"Enfim...O novo hedonista talvez não seja nômade propriamente dito...Ou não frequente as festas Organizadas por Baco...O novo-hedonista se preocupa com contas do mês,com filhos,com futuro,IPVA,IPTU,transito caótico...Mas o novo-hedonista não pode deixar de ser um cigano.Um cigano de ALMA!!"

E não pode deixar de ser livre...

"Repito:Não pode deixar de ser livre...Defendendo seus ideais.Vivendo e Aprendendo a (se) jogar..."

"E não pode deixar de sorrir..."

"Dessa forma o Hedonismo pode deixar de ser visto como Mero "PECADO......""
Aristipo de Cirene(- 356 a.C.)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Em que caixa você guardou a sua saudade?


O curioso do quarto é que ele é o lugar da casa que mais guarda segredos e histórias não visíveis a qualquer um. A gente abre a gaveta e joga um amor, pega um cabide e coloca uma morena de olhos verdes pendurada naquela marca de batom no colarinho, a gente abre uma caixa e revive umas cenas que a gente nem lembrava mais.Você encontra rostos conhecidos e alguns que se perderam por aí faz tempo. O coração aperta, não aperta? São letras de mãos que contam mais que histórias: contam quem você é, foi ou deixou de ser de alguma forma. A composição do meu guarda-roupa é meio que assim: passado, presente, futuro e o que eu nunca vou deixar de esquecer.
A parte divertida de deitar no divã do quarto é que você se analisa sem precisar de um desconhecido qualquer cobrando uma fortuna por uma hora de desabafo. No fundo, a gente só quer ser ouvido e não há ninguém melhor do que todos os personagens que a gente já foi um dia pra ouvir a gente.Todo novo ciclo pede uma entrada e uma renúncia. E a gente renuncia todo dia, toda hora, todo momento. Não só para ciclos longos, mas pra quando a gente acorda e vai dormir. A gente abre mão do sofá porque tem que trabalhar e da TV à noite porque o corpo pede calma.