sexta-feira, 24 de maio de 2013

Cuida Dela

Rapaz, diz pra ela que o meu bom dia ainda é dela. E que, se der, outro dia a gente se esbarra e eu levo umas flores pra ela. Faz dela um porto inseguro pra não se deixar levar pela rotina da maré calma. Beija o nariz dela que ela acorda na mesma hora e ainda dá uma espreguiçada com um sorrisão de partir o meu coração por não poder mais acordar ao lado dela. Ô rapaz, cuida dela com ternura. Essa garota precisa de alguém com tempo e com todo o coração do mundo pra entender a alma dela. Deixa ela descansar a cabeça no seu ombro, mesmo que você sinta um pouco de medo de se mexer. Eu nunca consegui ficar quieto com ela do lado.
Diz pra ela que ela é meu sonho bom. E que vai ser dureza não ter ligação nenhuma no meu celular pra responder. Coloca um toque personalizado, mas não escolhe nenhuma música especial pra vocês dois, rapaz. Puxa pruma valsa que ela sabe dançar bem demais. Ela tem um jeitinho de fugir dos meus braços que dá gosto. E não cai na armadilha dela, não. Se enroscar no pescoço dela é perigoso porque você pode ficar ali por tempo demais e se esquecer de olhar bem nos olhos dela. Diz pra ela que eu sei que eles não são castanhos, rapaz. Os olhos e ela são doces como mel. Dá pra sentir no gosto do primeiro beijo na chuva. E carrega sempre um remédio pra alergia na carteira. Dá pra prevenir os olhos dela de lacrimejarem por algum motivo bobo. Cuida bem pra ela não chorar, viu?
Ô rapaz, diz pra ela que eu soluço só de pensar em como vai ser daqui pra frente e que o meu norte foi embora junto dela. E diz também que eu reconheço que ela deve ser mais feliz com você do que comigo. Diz que eu não me conformo, mas vou tentar pensar nisso como um desvio de percurso – e que, até a gente se reencontrar, eu vou tentar garantir a felicidade dela por meio de umas dicas e recomendações que eu vou dar pra você. Ela gosta de beijos molhados e pouca agilidade na hora de se despir. O suor dela tem um gosto bom, rapaz, então não precisa – e nem pode – ter nojinho com ela. Compra cerveja ao invés de vinho e põe o chinelo dela na entrada pra ela se livrar logo do salto quando chegar. Não trabalha muito até tarde porque ela vai depender de alguma atenção sua pra ter certeza de que fez uma escolha justa em me deixar. E fala sobre música, sobre algo de blues e jazz e deixa ela sentar pra tocar piano naquele restaurante grã-fino dos Jardins. Diz pra ela que eu aprendi uma partitura pra poder me lembrar dela.
Cuida bem dela e diz pra ela que um dia a gente se encontra se ela resolver que dá pra ser feliz aqui. Mas se ela preferir ficar por aí, faz dela o seu grande amor, rapaz. Diz pra ela que a solidão só anda doce porque eu ainda penso nela. E dá um beijo de boa noite na testa dela por mim, rapaz. E não precisa dizer nada depois disso. Ela vai fechar os olhos e se lembrar de mim.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sem Palavras.


A Fórmula dos Relacionamentos

Para cada um de nós, a nossa visão de mundo parece ser o consenso geral da realidade da vida. Explico – somos os personagens principais do nosso universo, pois vivemos de acordo com as nossas realidades. Isso faz com que esperemos que o outro seja e pense de forma similar que a gente e que viva conforme os conceitos que acreditamos ser certos. Uma forma fácil de observar essa nossa característica um tanto quanto egoísta, é prestando atenção nos relacionamentos. As pessoas escolhem um outro e querem que esse outro viva conforme a sua regra do jogo. Isso não pode dar certo.
Viver em casal é muito difícil. Temos que abrir mão de certos aspectos da nossa realidade, mas não gostaríamos de fazê-lo. Se relacionar com o outro significa abrir mão do seu ponto de vista egoísta sobre o mundo e admitir que existem outras possibilidades ao viver a vida. O seu universo egocêntrico desmorona – é por isso que amar nos deixa mais humildes. No entanto, há pessoas que têm uma dificuldade imensa de abrir mão do que consideram como verdade absoluta e, como se não bastasse, querem obrigar o outro a concordar com seu universo. É como os veteranos tratam os “bixos” na faculdade – nos primeiros dias, estabelece-se um ritual para que os novatos forçosamente se adequem às regras do sistema. Rodas são formadas por “bichos” que aguardam de boca aberta, as doses de pinga descerem rasgando pela garganta. Quem não beber, é frouxo. Agora, convenhamos – respeitamos aqueles que querem beber, mas qual o sentido em obrigar o outro a beber também? Indiretamente, fazemos isso nos relacionamentos – queremos que o outro beba da nossa pinga, e que ache-a deliciosa.
O nosso ego, cuidadosamente cultivado desde a infância, nos imepede de viver uma parte preciosa dos relacionamentos, que é ter a chance de conhecer profundamente outro universo, que não o nosso. É uma oportunidade única de se aprofundar em outra realidade e de perceber quanto somos pequenos no mundo, já que, para o outro, o universo dele é o padrão na vida. Ou seja, percebemos assim o quanto somos pequenos e descemos do pedestal. Mas muitas vezes, desperdiçamos essa chance. Assim, automaticamente violamos uma regra essencial dos relacionamentos felizes – o respeito.
Aliás, a noção de respeito é muito distorcida da nossa realidade. Frequentemente, nos esquecemos que respeito tem a ver com perceber as diferenças do outro e aceitá-las, não porque estamos fazendo-lhe um favor, mas porque não estamos em posição alguma de poder julgar o que é certo e errado. Erramos muito na vida – diariamente, o tempo todo. É muita prepotência achar que temos o direito de mudar o outro porque acreditamos que a nossa realidade é a certa. Respeitar o outro é dar crédito por saber que ele está na mesma batalha diária que você – todo mundo veio para esse mundo sem pedir, o que não é algo fácil. Automaticamente, todo mundo merece seu respeito por estar traçando seu caminho, da melhor forma possível.
Temos que lidar com as diferenças conscientes que, para o outro, nós é que somos os diferentes da história e que a nossa verdade não precisa ser a verdade universal. Há uma frase excelente que resume tudo e que diz assim “Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente.”

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Amor


 Mas não posso te dar o que não possuo – o meu amor futuro. E talvez a incerteza do sentimento – do meu e do seu – seja justamente o combustível do meu amor.

Eu acho que amor seja que nem um carro – precisa de combustível pra funcionar. Se você não abastece, ele te deixa na mão em meio à Marginal às 6 da tarde, enquanto você ia pra aquela reunião importante. E não adianta xingar os quatro cantos, achar que a vida é injusta, que nada dá certo pra você. Você não colocou combustível. Menosprezou as necessidades do carro, assim como menosprezamos as necessidades do amor. Amor precisa de alimento. Não ache que ele dura pra sempre se você não cuidar. Amar dá trabalho mesmo. É que nem cachorro. Dá um trabalho enorme, mas você automaticamente esquece dos xixis no sofá ou do tapete rasgado quando ele te olha nos olhos e te tasca uma lambida. Aí você tem certeza que valeu a pena.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Alguns temem o novo...

“Alguns temem o novo
Porque ele ameaça o estabelecido, contesta as convenções
Desafia as regras
Alguns evitam o novo
Porque ele traz insegurança, estimula o experimento, convida à reflexão
Alguns fogem do novo
Porque ele nos retira da confortável posição de autoridade
E nos obriga a reaprender
Alguns zombam do novo
Porque ele é frágil, não foi consagrado pelo uso
Mas essas pessoas se esquecem que tudo o que hoje é consagrado um dia já foi novo
Alguns combatem o novo
Porque ele contraria interesses, desafia os paradigmas, não respeita o ego, despresa o status quo
Mas tudo isso é inútil
Porque a história da humanidade mostra
Que o novo sempre vem
Por isso, recicle seus pensamentos, reveja seus pontos de vista
Actualize suas fórmulas, seus métodos, suas armas
Senão você será sempre um grande profissional
Um sujeito muito preparado para lutar numa guerra que já passou”

domingo, 28 de abril de 2013

Quanto Custa o Seu Carinho?

Os preços estão totalmente descontrolados e andam subindo mais do que piroca de adolescente sob o efeito de Viagra. O custo do combustível está cada dia mais alto, assim como o do metro quadrado de um imóvel, o da conta de telefone, o do plano de saúde, o do cigarro, o da coxinha, o do tomate – enfim, o preço de quase tudo está em estado de constante erupção.
Não tive outra saída a não ser me adaptar. Só me restou seguir os conselhos do mano Darwin e achar alternativas para sobreviver em meio às inflações da máquina capitalista. Para não ter que vender meu rim no mercado negro e nem me aventurar a comer velhinhas taradas em troca de capital, fui obrigado a trocar meu carro por uma magrela, meu telefone por um e-mail, o cigarro por uma baita abstinência, a coxinha de frango por uma feminina sem catupiry e o tomate troquei por caqui. Até aí tudo bem, sobrevivi a quase todas as altas com as quais me deparei.
Só não consegui engolir a elevação brutal do preço de uma das coisas mais essenciais para a sobrevivência das relações humanas: o carinho. Não sei se já repararam, mas hoje o carinho anda bem mais caro do que deveria. Diria até que está abusivo. E não falo apenas do carinho necessário entre namorados. Refiro-me também ao carinho fundamental entre familiares, profissionais, vizinhos, motoristas, pedestres, extraterrestres – enfim, falo do carinho que, por lei, deveria ser distribuído gratuitamente em todos os elevadores e esquinas desse universo. O planeta precisa de carinho em forma de sorrisos sinceros, de cafunés demorados, de gentilezas espontâneas, de poesias em guardanapos ou de qualquer outra coisa capaz de nos livrar do ódio e dos inúmeros venenos inerentes à nossa perigosa existência humana.
Estou falando do carinho gratuito, do tipo que não espera nenhum outro carinho para acontecer. Estou falando de gente que dá o braço inteiro sem querer um pedaço da mão em troca. Pare de esperar o sorriso do outro para aí então entregar o seu. Seja mais rápido no gatilho e saia por aí metralhando sorrisos sem economia. Não custa nada. Muita gente só tem dado carinho na base da troca e, justamente por isso, tem muito mais pessoas esperando sem fazer nada, do que seres entregando sem esperar nada. Você precisa quebrar essa inércia egoísta, esse ciclo de gente passiva, e começar, agora, a distribuir carinho sem se preocupar se receberá algo em troca.
Sua conta corrente pode estar tão vazia como a de um mendigo e, justamente por isso, você tem todos os argumentos do mundo para economizar dinheiro e fechar o bolso. Agora, qual é a justificativa para agir da mesma forma econômica com o carinho? Há mais carinho no seu coração do que reais na conta do Eike Batista. Por isso, não tenha medo de sair por aí jogando carinho para o alto, distribuindo sem dó ou peso na consciência. E sabe o mais louco disso, ao contrário da lógica monetária? Quanto mais carinho você gastar, mais rico ficará.

Ricardo Coiro